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Real só perde para ruir na lista de moedas mais valorizadas no semestre 1º

O real é a segunda moeda que mais valorizou em relação ao dólar no primeiro semestre de 2022. Em um ranking com 62 moedas, o brasileiro só perde para o rublo russo.  

Depois de aparecer entre as moedas que sofreram em 2021, o real voltou a ganhar força no primeiro semestre deste ano. A valorização no primeiro semestre de 2022 foi de 5,98%-atrás apenas do tiro de mais de 45% do rublo russo, segundo levantamento feito com dados da Investe.

imagem04-07-2022-20-07-34Currents: as melhores atuações contra o dólar na metade 1º de 2022. (Elaboração: Samy Dana)

Economista Bruno Cesar Cotrim explica que o disparo da moeda russa seguiu a determinação do presidente do país, Vladmir Putin, de que todas as negociações comerciais com o país deveriam estar na moeda local.  

” O rublo teve esta grande apreciação porque Putin exigiu que qualquer tipo de negociação fosse feita em rublo. Então, os países que quiseram comerciar com a Rússia gás natural, petróleo, insumo agrícola e até mesmo a porção de grãos teriam que fazer essa conversão cambial. Isso acabou gerando uma valorização da moeda, que foi muito desvalorizada por causa da guerra, ” diz Cotrim, que também é economista e comerciante.  

Já na apreciação da apreciação da moeda brasileira, os economistas apontam uma conjunção de fatores nos últimos meses, como a antecipação da alta taxa de juros, alta das commodities e do fluxo estrangeiro.  

Taxas de juros altas

Selic em 13,25%

Baixo interesse foi uma realidade em vários países do mundo durante a pior fase da pandemia-incluindo o Brasil. As taxas foram mantidas em altas historicamente baixas, como uma tentativa de manter a economia aquecida em meio às restrições de funcionamento de várias atividades.  

Quando as preocupações de inflação começaram a subir, o Brasil foi um dos primeiros a iniciar a taxa básica de juros-já que isso restringe o consumo e tende, portanto, a controlar os preços. “Iniciamos a valorização do nosso dinheiro antes”, resume Cotrim.  

A ideia é que com juros mais altos, o país tende a oferecer retornos melhores para os investimentos. Com isso, os investidores estrangeiros vão em troca de seus dólares por reais para investir no mercado financeiro brasileiro. Com o aumento da demanda por oferta real e mais dólar, a tendência é de baixa na taxa de câmbio.  

Aumento das commodities

Mesmo tendo pressionado pela inflação, os altos preços das commodities nos últimos meses beneficiaram a moeda brasileira, uma vez que o país é exportador de muitos desses produtos.  

” O Brasil é um grande exportador de commodities, especialmente agrícola, energético e metálico. Então, nós temos tanto os grãos-soja, trigo, milho-, tanto quanto a parte de petróleo também. A porção de minério de ferro ajuda na balança comercial, é uma receita importante “, diz Luciano Costa, economista-chefe e sócio da Monte Bravo Investimentos.  

Fluxo Exterior

Costa comenta mesmo que, com a guerra na Ucrânia, houve uma “reorganização de fluxos para países emergentes”, que acabou atraindo recursos estrangeiros para o mercado financeiro brasileiro, beneficiando o real.  

“A saída da Rússia em várias pastas, seja de renda variável, seja de renda fixa, das carteiras globais acabou abrindo espaço para que o Brasil ocupe um percentual maior nessas carteiras”, explica.

Outro ponto citado por ele tem a ver com a bolsa brasileira, que no início do ano chegou a atrair um fluxo intenso de investidores estrangeiros, em busca de “empresas descontadas” -também elevando a demanda para os reais. “Também ajudou no desempenho do real, quando tinha um fluxo de renda variável bastante importante no início do ano”, diz o economista.  

Será que o dólar continuará caindo?

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Apesar de ter encerrado o semestre baixo em relação ao real, a queda do dólar vem perdendo força nos últimos meses. De acordo com cálculos feitos pela InvestNews com dados do Valor Pro, a queda do dólar em relação ao real foi de 6,13% no semestre, mas em abril a baixa acumulada no ano até então chegou a mais de 17%.

” Já houve alguma inversão de parte dessa valorização. Porque já teve um aumento de ruídos políticos, e também a questão do fortalecimento do próprio dólar em relação às moedas restantes, ” comentários Costa.  

Um dos principais fatores que têm pressionado o dólar norte-americano é a alta de juros nos Estados Unidos pelo Banco Federal Reserve dos EUA. Com taxas de juros mais altas, o país se torna mais atrativo para os investimentos, elevando a demanda pelo dólar e fazendo seu preço, portanto, subindo.  

Além disso, as preocupações com a situação fiscal no Brasil também vêm afetando a bolsa estrangeira. O avanço da Emenda Constitucional (PEC) do pacote de “bônus”, por exemplo, aumenta o de desconfiança sobre a credibilidade do governo em relação ao manejo das contas públicas-o que deve pesar negativamente no mercado financeiro.

“Com o aumento do risco do mercado financeiro, a tendência de valorização da taxa de câmbio iniciada no início de 2022 se inverteu”, disseram eles em nota da Genial Investimentos analistas.

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